Saiba qual é o melhor momento para fazer um mestrado no exterior

Enquanto eu trabalhava como repórter em São Paulo em 2015, eu comecei a me organizar para tirar um projeto do papel: fazer um mestrado no exterior.

O mestrado em si não era o objetivo inicial, mas três anos depois de me formar eu sentia que precisava voltar a estudar.

Pensei em fazer cursos pequenos na minha área e até sobre assuntos que eu gosto, como culinária. Isso era parte da minha ideia sobre como dar um upgrade na minha vida no ano de 2016, como citei neste post com algumas dicas.

O fato é que eu tinha decidido que iria passar os próximos anos me preocupando mais com o meu desenvolvimento pessoal e minha qualidade de vida do que em simplesmente trabalhar para garantir um salário no fim do mês.

E o plano deu certo: um planejamento que começou no primeiro semestre de 2015 se concretizou em setembro de 2016, quando desembarquei em Portugal para uma nova fase na vida, morando e estudando no exterior. Eu trouxe as malas, a cachorra, e a minha força de vontade.

Como qualquer pessoa que vocês conhecem que esteja morando fora, o caminho até aqui não foi fácil.

Eu precisava juntar dinheiro, planejar as mudanças de cidade, providenciar a documentação para trazer um cachorro, pedir meu visto de estudante, aplicar para o mestrado (e passar, claro) preparar meu psicológico para ficar longe da família e conseguir bons contatos para obter dicas e ajuda.

Aliás, fica a primeira lição: morar fora é um plano que exige muita inteligência emocional, educação financeira e determinação.

Continue lendo o artigo abaixo para saber:

  • Por que eu escolhi fazer um mestrado no exterior
  • O melhor momento para fazer um mestrado no exterior
  • E baixe a checklist: como planejar um mestrado no exterior

Por que eu escolhi fazer um mestrado no exterior

Durante esse tempo de planejamento, uma das questões que meus colegas e familiares mais me perguntavam era: por que Portugal? Por que ir para fora? No Brasil também tem mestrado!

A minha relação com o sonho de morar fora sempre teve muito a ver com a minha carreira. Desde os 19 anos passei pelas etapas de mudar de cidade, estudar em uma universidade, morar com pessoas diferentes, estagiar e arrumar um emprego estável.

O meu objetivo depois de me formar sempre foi passar um tempo estudando fora para incrementar meu currículo e conhecer novas culturas. E isso não tinha só a ver com o fato de eu ser jornalista. Tinha a ver com uma série de fatores que vou detalhar a seguir:

Motivo 1: Não existe mais isso de emprego estável

Quem está enfrentando essa crise de desemprego no Brasil sabe do que estou falando: o mercado de trabalho não é mais visto como antigamente (e, de certo modo, ainda bem!).

Por mais que você seja um profissional especializado e tenha experiência ainda passará por dificuldades até encontrar um emprego com seu perfil. Em muitas das áreas para conseguir disputar uma boa oportunidade é preciso se destacar, ter uma mente empreendedora e multidisciplinar.

Comigo não foi diferente: passado um tempo de trabalho, eu sabia que não teria chance de crescimento e a demissão só veio para concretizar o quanto as coisas iam ficar difíceis se eu não estivesse disposta a mudar a minha vida.

Então, preferi não me apegar tanto à ideia de encontrar um emprego “duradouro” em escritório pois sabia que um dia precisaria embarcar em uma experiência fora do país.

Eu diria que, se alguém está procurando um bom motivo para passar um tempo no exterior, esse é um dos maiores deles.

Se você está em um emprego que não lhe oferece chances de crescimento e aprendizado. Se você acha que já não tem mais nada para aprender ali. Se esse nem era o emprego dos seus sonhos e você apenas vai trabalhar para pagar as contas… Talvez seja melhor rever os seus objetivos e colocar uma nova meta em sua vida. :)

Motivo 2: O custo de vida já não compensava mais

Fora da casa dos pais, eu tive a oportunidade de morar na capital paulista e em uma cidade menor no interior.

Em São Paulo eu dividia o apartamento com um primo e tinha ainda despesas com carro, cachorra, viagens para minha cidade e alimentação.

E mesmo ganhando o piso salarial ficava difícil bancar tudo isso e ainda conseguir fazer alguns cursos por fora, como umas aulas de inglês ou uma pós-graduação.

Assim, eu percebi que ficar longe da minha família e ir para uma cidade exclusivamente para trabalhar não compensava. Eu pagava caro para ficar em um lugar que eu pouco gostava e nem tinha interesse em fazer a vida ali.

Eu comecei a pensar que, se fosse para eu ir para uma cidade para trabalhar e gastar todo o meu salário em moradia, que eu pelo menos eu gostasse da cidade e me sentisse segura ali.

Isso tudo levando em consideração que eu não tenho filhos e que essas mudanças iriam afetar apenas a mim mesma.

Motivo 3: Mestrado no Brasil custa caro

Vamos desconsiderar aqui que existem as universidades públicas. Que elas são de graça e oferecem mestrados.

Que você precisa fazer uma prova para passar. Que você precisa ter contato com algum professor orientador e ele tem que gostar do seu projeto.

Que você precisa assistir a algumas aulas da universidade para criar contatos. Que você precisaria estar disponível para assistir a essas aulas durante o seu horário de trabalho…

Então, vou para a parte em que eu comecei a procurar instituições particulares para fazer uma pós-graduação ou mestrado. E eu fiquei um pouco desmotivada com as minhas pesquisas.

Um mestrado ou pós nas minhas áreas de interesse, em São Paulo, não custa nem um pouco barato.

Cheguei a ver cursos de 2 anos em universidades que eu me interessava com aulas duas vezes por semana e mensalidades de mais de R$2 mil.

Até aí essas eram apenas áreas de interesse, mas a verdade é que nenhuma das opções oferecidas realmente me empolgaram.

Com todo esse dinheiro eu conseguiria fazer algum curso em alguma instituição reconhecida mundialmente e ainda sobraria uma grana para garantir a moradia durante alguns meses. Levando em conta que estava indo para um país com custo de vida mais barato, claro.

Motivo 4: Era hora de abrir a cabeça e conhecer gente nova

Um dos motivos mais fortes que me levaram a querer fazer um mestrado fora do Brasil foi não só a possibilidade de aprender algo novo, mas de conhecer pessoas, culturas, comidas e cidades novas.

Quando você entra em um plano de risco que é passar pelo menos 2 anos no exterior, você precisa estar ciente de que deverá aproveitar essa oportunidade ao máximo.

Então, a vontade de conhecer tanta coisa nova falou mais alto e eu decidi que passar todas as dificuldades inclusas nesse novo estilo de vida iriam compensar muito mais.

O melhor momento para decidir fazer um mestrado no exterior

Não existe fórmula pronta que vá te fornecer a data exata em que você deve fazer as malas e ir para outro país estudar.

A ideia de escolher fazer um mestrado, em si, deve partir de alguma necessidade em sua carreira, e não somente da necessidade de morar fora.

Neste artigo aqui você pode ler sobre como um mestrado pode ajudar os profissionais que saem da faculdade sem se sentirem preparados para o mercado de trabalho.

Para uma pessoa comum, que ganha um salário baixo, mora sozinha e precisa pagar as contas todo mês, esse tipo de planejamento deve começar com pelo menos um ou dois anos de antecedência. E haja disciplina.

Eu diria que se você ainda é jovem, solteiro e sem filhos, já tem sua graduação feita e já sabe no que quer se especializar: essa é a melhor hora! Basta começar a juntar seu dinheiro e pesquisar as instituições e países para onde deseja ir.

Existem, claro, outros momentos que podem nos ajudar a tomar mais coragem para uma mudança de país a estudos. Confira alguns deles a seguir:

#1. O mestrado no exterior é imprescindível para você e a empresa crescerem

Muitos profissionais que trabalham em multinacionais podem se deparar com a oportunidade de fazer um mestrado no exterior por meio de bolsas concedidas pela companhia.

Isso porque, obviamente, a organização precisa de alguém especializado naquele assunto para ela também poder crescer.

Se sua empresa oferece esse tipo de benefício, uma ideia interessante seria conversar com seus líderes para saber quais são suas opções e como você pode ter acesso a esse tipo de oportunidade.

#2. Você quer ter um currículo de destaque

Três anos depois de formada, eu estava começando a sentir que se não me esforçasse para oferecer trabalhos melhores e algo diferente eu nunca conseguiria sair daquele mesmo status na minha carreira.

O seu caso também pode ser esse.

Se você acha que está há um muito tempo no mesmo cargo e gostaria de concorrer a oportunidades com salários e responsabilidades maiores, é sinal de que é hora de investir em mais estudos.

E, se você deseja obter mais destaque em sua área na hora de concorrer com outros candidatos, pode ter certeza de que a experiência de estudar e viver no exterior vão contar muitos pontos em seu currículo.

Falando em currículos, aqui no blog existe até um tutorial falando sobre como você pode montar um. Você já viu? Se ainda não, clica no link aqui embaixo:

#3. Você se sente estagnado na carreira

Você já passou por diversos empregos no mesmo cargo, já conhece um pouco sobre seu setor e não aguenta mais ver sempre as mesmas atividades para fazer. Essa é uma situação comum de quem tenta voltar a estudar.

Existem muitos profissionais que, cansados de trabalhar sempre com a mesma coisa, optam por um mestrado no exterior para conseguirem variar seus currículos e se envolverem em novos projetos.

Aliás, se você anda em dúvida se aquele trabalho em que está realmente é para você , dá uma olhada nas dicas do link abaixo:

#4. Você foi demitido

Por mais doloroso que seja, uma demissão pode abrir uma porta diferente em sua carreira.

Ela pode ser seu ponto de partida para mudar tudo aquilo que você não estava gostando em seu antigo emprego e te fazer encontrar um caminho que te agrade mais.

Então, junte o fato de você ter cortado o vínculo com seu trabalho com o dinheiro da rescisão que irá receber e essa pode se tornar a oportunidade perfeita para um curso ou mestrado no exterior.

Inclusive, eu já cheguei a escrever um artigo com diversas dicas para quem acaba de ser demitido e quer superar essa fase da vida.

Nele você encontra formas para superar a saída recente de um emprego e ainda descobre como transformar essa situação em uma oportunidade. Olha só:

Checklist: planejamento para fazer um mestrado no exterior

Bom, você já viu aqui alguns dos motivos e até que tipos de momentos são ideais para tentar estudar fora. Mas, agora deve estar se perguntando como eu posso me planejar fazer um mestrado no exterior?

Eu também me fiz essa pergunta várias vezes. Eu não sabia o que pesquisar, com quem falar.

Em nenhum lugar eu encontrei alguém me dizendo o que eu deveria fazer primeiro e nem com quanto tempo de antecedência eu deveria começar a ir atrás da minha candidatura, da matrícula, do visto, da passagem aérea…

Essas são coisas que eu acabei tendo que definir por mim mesma e seguir da melhor forma possível. Eu tive alguns problemas no caminho por precisar deixar algumas coisas para a última hora, por exemplo, e isso atrapalha muito.

Então, pensando em toda a experiência que tive durante mais de um ano pesquisando, fazendo planos e contas para chegar até aqui e nas dificuldades que eu mesma tive para saber definir datas e tarefas, eu preparei uma checklist que talvez possa te ajudar.

Cá para nós, se eu tivesse algo assim eu não teria sofrido tanto com algumas partes do meu planejamento.

É um documento super simples, mas nele você encontrará uma lista com as principais atividades que você deve fazer antes de embarcar na viagem. E não se preocupe se o seu mestrado for em outra área.

A lista tem um procedimento padrão de qualquer profissional brasileiro que esteja querendo estudar fora. A ideia é que partir dela você vá adaptando o seu planejamento de acordo com seus objetivos e países específicos, ok?

Como eu disse ali em cima: planejar uma mudança para fora do país exige muita inteligência emocional, educação financeira e determinação.

Baixe a Checklist para planejar um Mestrado no Exterior

Insira seu nome e e-mail abaixo para receber a checklist.

Ah! Já ia me esquecendo, se você quiser fazer uma viagem a estudos mais simples, como um intercâmbio, eu recomendo a leitura deste artigo aqui:

Até mais!

* Crédito da imagem: Freepik.com
  • CELSO

    Obrigado pelas dicas e pelo check list, acredito serem de grande valia. Apenas uma pergunta: em realção ao orientador, não é necessário que um orientador aqui do Brasil ajude no processo via carta de recomendação e avaliação do projeto de mestrado? pergunto pois já ouvi falar nisso, porém não encontrei este detalhe no artigo/check list. Obrigado novamente!

    • Olá, Celso! Então, alguns mestrados no exterior não exigem que você tenha um orientador como requisito inicial para entrar no programa, como acontece com muitas universidades no Brasil. Isso era uma preocupação minha antes de vir para fora também. No meu caso em Portugal foi assim: eles pediram currículo, histórico e diploma e uma proposta preliminar de projeto (que nem precisa ser definitiva). Eu enviei cartas de recomendação de ex-chefes e ex-orientadores da faculdade, mas tenho colegas de classe que não enviaram e passaram mesmo assim. Por isso, na checklist coloquei para o pessoal procurar a instituição e os requisitos com certa antecedência para dar tempo de providenciar tudo (documentação e orientador, QUANDO necessário). Tem que entrar em contato mesmo e perguntar. Tudo fica mesmo a critério de cada instituição, mas a antecedência no planejamento é válida. Eu acabei generalizando pois não sei ainda como funciona em outros países. Quanto mais cedo for o planejamento, mais fácil fica, especialmente porque a questão do visto é uma das mais complicadas e demoradas de se resolver. Espero que a checklist ajude de alguma forma. Se tiver mais dúvidas é só comentar! Vou anotando tudo para criar novos artigos explicando cada vez mais sobre isso. :)

      • CELSO

        Entendi, tá certo e muito obrigado pelo esclarecimento, me ajudou muito, assim como o próprio Check list, nos da uma noção melhor de tempo para nos organizarmos melhor. Continue assim, meus parabéns!